O ÚLTIMO PREGO NO CAIXÃO DE DEUS (?)
Há uma impressão popular muito difundida de que cada avanço científico é mais um prego no caixão de Deus. Essa é uma impressão alimentada por influentes pensadores da ciência.Peter Atkins, professor de Química e militante ateísta escreve: "A humanidade deve aceitar que a ciência eliminou a justificativa da crença num propósito cósmico, e qualquer sobrevivência desse propósito inspira-se apenas no sentimento." (artigo publicado em New Cientist, 08/08/1992, pg. 32-35).Atkins, de um só golpe, reduz a fé em Deus não apenas a um sentimento, mas a um sentimento que se opõe à ciência. Ele não está só. Para não ficar para trás, Richard Dawkins, famigerado militante ateísta, vai além. Ele considera a fé em Deus um mal a ser eliminado: " Está na moda tornar-se apocalíptico acerca da ameaça para a humanidade apresentada pelo vírus da AIDS, pelo mal da 'vaca louca' e por muitas outras doenças, mas eu acho natural argumentar que a FÉ constitui um dos grandes males do mundo, comparável ao vírus da varíola, só que mais difícil de erradicar. A fé, sendo uma crença que NÃO SE BASEIA EM EVIDÊNCIAS, é o principal vício da qualquer religião." (Artigo publicado em The Humanist, jan/fev de 1997, pg 26-39).A fé, na opinião de Dawkins, "graduou-se", deixando de ser um vício para tornar-se uma ilusão... Para Dawkins, Deus não é apenas uma ilusão. É uma ilusão perniciosa.Visões como essa se situam num ponto extremo de um grande gráfico imaginário de posições... Muitos cientistas não se sentem nada satisfeitos com essa militância, sem mencionar os traços repressores e até totalitários dessas visões. Todavia, como sempre acontece, são as visões extremistas que chamam a atenção do público e são expostas na mídia, e o resultado disso é que muita gente conhece essas visões e é afetada por elas...Considerando-se o que ele diz, está claro que uma das coisas que geraram a hostilidade de Dawkins em relação à fé em Deus é a lamentável impressão que adquiriu de que, enquanto "a crença científica se baseia em evidências publicamente verificáveis, a fé religiosa não apenas carece de evidências, mas sua independência de evidências é a sua alegria, proclamada do alto dos telhados" (transcrito de artigo publicado no Daily Telegraph Science, 11/09/1989).Em outras palavras, ele considera toda fé religiosa como fé cega.
Mas, seguindo o conselho do próprio Dawkins, perguntamos: Onde estão AS EVIDÊNCIAS de que a fé religiosa não se baseia em evidências? Ora, é público e notório que, infelizmente, há pessoas que professam sua fé em Deus e adotam um evidente ponto de vista anticientífico. A atitude dessas pessoas desonra a Deus e deve ser deplorada. Talvez Richard Dawkins tenha tido a má sorte de cruzar com uma multidão muito grande dessas pessoas...!
Mas isso não altera o fato de que o cristianismo mais comum vai insistir que a fé e as evidências são inseparáveis. A fé é uma resposta às evidências, não um alegar-se na ausência de evidências. O apóstolo João escreve em sua biografia de Jesus: "Mas estes sinais foram escritos para que vocês creiam..." (Jo 20.31). Isto é, ele entende que o que está escrevendo deve ser considerado como parte das provas nas quais se baseia a fé. O apóstolo Paulo diz o que muitos dos pioneiros da ciência moderna acreditavam, a saber: que a própria natureza faz parte das evidências da existência de Deus:
"Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua própria divindade, têm sido vistos claramente, sendo compreendido por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis." (Rm 1.20).
Não faz parte da visão bíblica exigir que se acredite em coisas sem que haja nenhuma evidência. Exatamente como acontece na ciência: fé, razão e provas caminham juntas. A definição de fé apresentada por Dawkins como uma "fé cega" acaba sendo, portanto, o exato oposto da fé definida pela Bíblia. É curioso o fato de que ele não parece ter consciência da discrepância...! Seria isso uma consequência de SUA PRÓPRIA fé cega?
Assim, a definição de fé dada por Dawkins nos oferece um surpreendente exemplo do exato tipo de pensamento que ele afirma detestar: o pensamento que não se baseia nas evidências. Pois, mostrando uma assustadora incoerência, as evidências são exatamente aquilo que ele deixa de apresentar em defesa de sua alegação de que a alegria da fé resulta do fato de ela não depender de evidências. E a razão pela qual ele não apresenta essas evidências não é difícil de achar: elas não existem.
Não se requer muito esforço para averiguar que nenhum sério intelectual ou estudioso da Bíblia apoiaria a definição de fé apresentada por Dawkins. Francis Collins em seu livro A Linguagem de Deus diz que essa definição "com certeza não descreve a fé da maioria dos fiéis da história, nem da maioria dos que conheço pessoalmente".
O argumento de Collins é importante porque mostra que, rejeitando toda fé como cega, os neo-ateus estão minando seriamente sua própria credibilidade...
Dawkins deixou evidentemente de ocupar-se com quaisquer pensadores cristãos sérios. Que devemos então pensar de sua excelente máxima a seguir:
"Na próxima ocasião em que alguém lhe disser que algo é verdadeiro, por que não lhe responder: 'Que tipo de evidências disso existem?' E se não houver uma boa resposta, espero que você pense com muito cuidado antes de acreditar numa só palavra do que está ouvindo." (R. Dawkins, A Devil's Chaplain).
Facilmente será perdoado quem caísse na forte tentação de aplicar a máxima de Dawkins ao próprio autor - e não acreditar numa só palavra do que ele está dizendo...!
(Trechos do capítulo 1 de Por Que
a Ciência não Consegue Enterrar Deus, do matemático e pesquisador John
Lennox. Ed. Mundo Cristão)


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