Prossigo na 3ª parte de uma série de artigos, questionando a presença do ateísmo na ciência. Como já exposto nos dois artigos anteriores, esses são textos selecionados e transcritos do excelente livro Por Que a Ciência não Consegue Enterrar Deus, do matemático teísta John Lennox, publicado no Brasil pela Ed. Mundo Cristão. Desfrute a continuação do debate e exponha suas opiniões no final.
AS RAÍZES DA CIÊNCIA QUE MUITOS ESFORÇAM-SE POR ESQUECERCertamente a confissão de fé em Deus, mesmo quando feita por eminentes cientistas, não parece exercer nenhum efeito modulador sobre os tons estridentes anti-teístas empregados por apologistas ateus como Richard Dawkins, Peter Atkins, Sam Harris e outros que orquestram sua guerra contra Deus usando o nome da ciência. Talvez fosse mais correto dizer que eles estão convencidos não de que a ciência está em guerra com Deus, mas de que a guerra já acabou e a ciência obteve a vitória final. O mundo simplesmente precisa ser informado disto: Deus morreu e a ciência o sepultou, ecoando Nietzche. Seguindo essa linha, Peter Atkins escreveu:"Ciência e religião não podem reconciliar-se , e a humanidade deveria começar a apreciar o poder de sua cria e afastar todas as alternativas de acordo. A religião fracassou, e seus fracassos permanecem expostos. A ciência, com sua bem-sucedida busca de competência universal por meio da identificação do mínimo, o supremo deleite do intelecto, deveria ser reconhecida como rainha." (Nature's Imagination, The Frontiers of Scientific Vision).Essa é uma linguagem triunfalista. Mas será que o triunfo está de fato garantido? Que religião fracassou? E em que nível? Embora a ciência seja realmente um deleite, ela será mesmo o SUPREMO deleite do intelecto? A música, a arte, a literatura, o amor e a verdade não tem nada a ver com o intelecto? Podemos ouvir o crescente coro de protesto das humanidades...!
Mais ainda, o fato de existirem cientistas que parecem estar em guerra contra Deus não significa exatamente que a própria ciência esteja em guerra contra Deus. Por exemplo, Alguns músicos são ateus militantes. Isso significa que a música em sí mesma está em guerra? De modo algum. A ideia aqui exposta pode ser expressa da seguinte forma: Afirmações de cientistas não são necessariamente afirmações da ciência. Também poderíamos acrescentar que essas afirmações não são necessariamente verdadeiras; embora o prestígio da ciência seja tanto que elas muitas vezes, só por isso, são tomadas como tais. Por exemplo, as afirmativas de Richard Dawkins e Peter Atkins, com as quais começamos, se encaixam nessa categoria. Não são afirmações científicas, mas sim expressões de crença pessoal, na verdade de fé pessoal, não sendo diferentes - embora sejam visivelmente menos tolerantes - do que muitas expressões do tipo de fé que Dawkins deseja de modo expresso erradicar. Naturalmente, o fato de as citadas afirmações de Atkins e Dawkins serem afirmações de fé, não significa por si só que sejam falsas; mas sim, que elas não devem ser tratadas como se fossem fatos autorizados pela ciência.
Antes de avançar, precisamos, todavia, equilibrar um pouco as contas, citando alguns eminentes cientistas que de fato acreditam em Deus. John Houghton, condecorado com título de "Sir" pela Coroa Britânica, escreveu:
"Nossa ciência é a ciência de Deus. Ele é responsável por toda a história científica... a notável ordem, consistência, confiabilidade e a fascinante complexidade presentes na descrição científica do universo refletem a ordem, consistência, confiabilidade e complexidade da atividade de Deus." (The Search for God: Can Science Help?)
Ghillean Prance, (também condecorado Sir)... expressa de forma igualmente clara sua fé:
"Acredito há muitos anos que Deus é o grande arquiteto por trás de toda a natureza... Todos os meus estudo científicos a partir da quele tempo confirmaram minha fé. Considero a Bíblia como minha principal fonte de autoridade." (God and the Scientists, Mike Poole, 1997).
As afirmações que acabaram de ser apresentadas não são afirmações científicas, mas afirmações de crença pessoal. Deve-se notar, porém que elas contém certas sugestões em relação às evidências que poderiam ser aduzidas para sustentar essa crença. Temos assim a interessante situação em que, de um lado, intelectuais naturalistas nos dizem que a ciência eliminou Deus e, do outro lado, teístas dizendo-nos que a ciência confirma sua fé em Deus. As duas posições são defendidas por cientistas muito competentes. O que significa isso? Bem, significa com certeza que é uma atitude demasiado simplista pressupor que ciência e fé em Deus são inimigas, e sugere que valeria a pena explorar qual é exatamente a relação entre ciência e ateísmo e entre ciência e teísmo. Em particular, qual dessas duas cosmovisões diametralmente opostas (ateísmo e teísmo) tem de fato o apoio da ciência?
COMEÇAMOS PELA HISTÓRIA DA CIÊNCIA
É comum na literatura, primeiro, reconhecer as raízes da ciência contemporânea lá nos gregos do séc. 6 a.C. e, depois, mostrar que, para possibilitar o avanço da ciência, a visão grega teve de ser esvaziada de seu conteúdo politeísta... Embora os gregos, sob muitos aspectos, certamente tenham sido os primeiros a praticar a ciência mais ou menos da forma que a entendemos hoje... a visão real do Universo que mais ajudou a ciência, a saber: a visão hebraica de que ele foi criado e é sustentado por Deus, veio muito antes da visão de mundo dos gregos.
Isso deveria ser "proclamado do alto dos telhados", como um antídoto para uma sumária rejeição de Deus. Significa que a fundação sobre a qual repousa a ciência, a base a partir da qual sua trajetória se alastrou até os confins do mundo, tem uma forte dimensão teísta.
Vale a pena citar a frase de C.S. Lewis...: "Os homens se tornaram cientistas porque esperavam haver leis na natureza, e esperavam haver leis na natureza, porque acreditavam num legislador". Foi essa convicção que levou Francis Bacon (1561- 1626), considerado por muitos como o pai da ciência moderna, a ensinar que Deus nos fornece 2 livros - o livro da natureza e a Bíblia - e que, para ser instruída de maneira apropriada, a pessoa deveria dedicar a mente ao estudo de ambos.
Muitas das proeminentes figuras da ciência concordaram com isso. Homens como Galileu (1564-1642), Kepler (1571-1630), Pascal (1623-1662), Boyle (1627-1691), Newton (1642-1727), Faraday (1791-1871), Mendel (1822-1884), Pasteur (1822-1895), Kelvin (1824-1907) e Clerk Maxwell (1831-1879) eram teístas. Em sua maioria eles eram, de fato, cristãos. Sua crença em Deus, longe de ser um empecilho para a ciência, era muitas vezes a principal inspiração para ela, algo que eles não tinham vergonha de afirmar. A força que impulsionava a mente inquisitiva de Galileu, por exemplo, era sua profunda convicção interior de que o Criador que nos "deu sentidos, razão e intelecto" pretendia que nós não "renunciássemos ao uso deles e que, por algum outro meio, obtivéssemos o conhecimento que por meio deles podemos adquirir"...
...A doutrina de um único Deus criador, responsável pela existência e pela ordem no Universo desempenhou um papel importante (contribuindo para o surgimento da ciência)...
...O surgimento da ciência teria sido seriamente retardado se uma doutrina particular de teologia, a doutrina da criação, não estivesse presente. Uma doutrina comum do judaísmo, cristianismo e islamismo... O simples fato de uma religião ter apoiado a ciência não significa que essa religião é verdadeira. Pois é exatamente isso, o mesmo que se poderia dizer do ATEÍSMO.
(Trechos do capítulo 1 de Por Que
a Ciência não Consegue Enterrar Deus, do matemático e pesquisador John
Lennox. Ed. Mundo Cristão)
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