terça-feira, 4 de março de 2014

A Ciência Precisa do Ateísmo?


Será que nós e o Universo, com sua profusão de beleza galáctica e refinada complexidade biológica, nada mais somos que o produto de forças irracionais agindo, de uma forma desgovernada, sobre matérias e energias irracionais, como sugerem os chamados novos ateus, liderados por RICHARD DAWKINS? Será que, em última análise, a vida humana é apenas uma confessadamente improvável, mas mesmo assim fortuita, combinação de átomos dentre muitas outras possíveis?


Seja como for, como poderíamos de qualquer modo ser especiais, uma vez que agora sabemos que habitamos num minúsculo planeta, que gira em torno de uma estrela medíocre, pedida numa ramificação distante de uma galáxia espiralada, que contém milhões de estrelas semelhantes, uma galáxia que é apenas uma dentre outros bilhões de galáxias distribuídas pela vastidão do espaço?

Mais ainda, dizem alguns, já que certas propriedades básicas do nosso Universo, como o poder das forças fundamentais da natureza, e a quantidade de dimensões observáveis de espaço e tempo resultam de efeitos aleatórios que atuam na origem do Universo, então, com certeza, é bem possível que existam outros universos com estruturas muito diferentes. Será que o nosso Universo é o único nesse vasto conjunto de universos paralelos eternamente separados entre si? Não seria, portanto, absurdo sugerir que os seres humanos têm alguma importância suprema? A medida deles num multiverso pareceria efetivamente reduzida a zero.
 Sendo assim, do ponto de vista intelectual, seria um absurdo exercício de nostalgia relembrar os primórdios da ciência moderna, quando cientistas como Francis Bacon, Galileu, Newton, por exemplo, acreditavam num Deus criador inteligente, de cujo cérebro nascera o cosmos. A ciência avançou afastando-se desse pensamento primitivo, assim nos dizem. Deus foi posto de lado, morto e depois sepultado pelas onipresentes explicações científicas... Ele sem dúvida está morto. Além disso, todo o processo de sua morte mostra que qualquer tentativa de reintroduzir Deus vai provavelmente atrapalhar o progresso da ciência. Podemos agora ver com mais clareza do que nunca que o NATURALISMO – a concepção de que a natureza é tudo o que existe, de que não há nenhuma transcendência – reina soberano.

Em um congresso científico realizado em 2006... Discutindo se a ciência deveria descartar a religião, o prêmio Nobel Steven Weinberg disse: ”O mundo precisa acordar do longo pesadelo da religião. Nós cientistas devemos fazer tudo o que nos seja possível para enfraquecer o domínio da religião, e esse talvez seja de fato nosso maior legado para a civilização”. Sem causar nenhuma surpresa, Richard Dawkins foi ainda mais longe: ”Estou cheio até as tampas do respeito que, por meio de uma lavagem cerebral, fomos induzidos a nutrir pela religião”.


...Isso é realmente verdadeiro? Deveriam todas as pessoas religiosas ser rejeitadas por serem preconceituosas e mal informadas? Afinal de contas, algumas dentre elas são cientistas laureados com o prêmio Nobel. Será verdade que elas de fato confiam cegamente que um dia será descoberto um canto escuro do Universo que a ciência nunca poderá iluminar? Com certeza essa não é uma descrição justa ou verdadeira da maioria dos pioneiros da ciência, que, como Kepler, alegavam que era exatamente sua convicção da existência de um Criador que inspirava sua ciência a empreender voos cada vez mais altos. Para eles, eram os cantos escuros do Universo DE FATO iluminados pela ciência que ofereciam amplas evidencias da engenhosidade de Deus.


...Seria o naturalismo de fato exigido pela ciência? Ou será que é simplesmente concebível que o naturalismo seja uma filosofia ADICIONADA À CIÊNCIA, mais do que algo imposto por ela? Alguém poderia ousar perguntar se o naturalismo não seria talvez uma expressão de fé, semelhante à fé religiosa. Quem assim pensasse poderia no mínimo ser perdoado, considerando-se a forma como são tratados os que ousam tratar questões desse gênero. Como os hereges religiosos de outrora, eles podem sofrer uma forma de martírio, representada pelo corte de suas bolsas de pesquisa...!


...Na Idade Média ... a ciência precisou livrar-se de certos aspectos da filosofia aristotélica antes de poder realmente ganhar impulso... Galileu observou através de seu telescópio... e parte da dedução de Aristóteles referente a seu conceito ...caiu por terra!... Kepler fez a sugestão inovadora de que os planetas se movimentam em elipses “perfeitamente” iguais em torno do Sol em um dos focos, visão ... mais tarde ... esclarecida pela lei do inverso do quadrado da atração gravitacional de Newton...


Kepler havia mudado a ciência para sempre, desatrelando-a da inadequada filosofia a que fora confinada durante séculos. Seria, talvez, um pouco PRESUNÇOSO supor que um passo libertador como esse NUNCA MAIS precisará ser dado!


Contra isso cientistas como Atkins e Dawkins argumentarão que, desde os tempos de Galileu, Kepler e Newton, a ciência vêm mostrando um crescimento exponencial e não há evidências de que a FILOSOFIA do naturalismo ... seja inadequada. De fato, na opinião deles, o naturalismo serve apenas para promover o avanço da ciência, que agora pode seguir em frente livre do estorvo da bagagem mitológica que, no passado, muitas vezes a deteve....

Mas será que o caso é realmente esse? ...Nem Galileu, nem Newton, nem de fato a maioria das grandes figuras científicas que contribuíram para a meteórica ascensão da ciência na sua época achavam que a crença num Deus criador fosse inibidora nesse sentido. Longe disso, eles a consideravam positivamente estimulante: na verdade, para muitos deles, ela era a principal motivação para a investigação científica. Sendo assim, a veemência do ateísmo de alguns autores contemporâneos levaria alguém a perguntar: Por que eles estão agora tão convencidos de que o ateísmo é a única posição intelectualmente defensável? É realmente verdade que no campo da ciência tudo aponta para o ATEÍSMO? A ciência e o ateísmo são companheiros tão naturais?


...Que cosmovisão se coaduna melhor com a ciência: O teísmo ou o ateísmo? A ciência sepultou ou não sepultou Deus? Vejamos onde as EVIDÊNCIAS vão dar...



(Trechos do prefácio de Por Que a Ciência não Consegue Enterrar Deus, do matemático e pesquisador John Lennox. Ed. Mundo Cristão)

Assistamos os próximos capítulos...

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